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Que o Brasil tem uma das mais altas cargas de tributos do mundo, quase todo mundo sabe. O que nem todos sabem é que o Brasil também é um grande “campeão” da informalidade, ou seja, do não pagamento de impostos.
Em estudo produzido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), para o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), no Brasil, circularam na informalidade no ano passado 578,4 bilhões de reais.
Essa enorme quantidade de dinheiro corresponde a 18,4% do Produto Interno Bruto do país, ou ainda, todo o PIB da Argentina.
Ainda segundo o ETCO, atualmente, apenas 28% de tudo o que é arrecadado são provenientes dos impostos sobre a renda e a propriedade, enquanto todo o restante vem de tributos ligados à produção e à importação, como o IPI, o ICMS, a Cofins e outros.
Os impostos indiretos são os que incidem sobre produtos e serviços, portanto mais injustos com quem ganha menos, sendo que, em países onde a carga tributária é ainda maior que a do Brasil, os sistemas tributários são mais justos, modernos e eficientes.
Um outro desafio é o de aliviar o custo do trabalho, corrigir as antiquadas leis trabalhistas para fazer crescer o número de carteiras assinadas, para reduzir a informalidade e aumentar o número de contribuintes. Isso é necessário para gerar um efeito algo
assim: quando (quase) todos pagam, todos pagam menos, resultando em aumento de produção e de competitividade.
Para gerar este efeito, uma das urgentes providências é desonerar a folha de pagamento. Não é mais possível (nem suportável) termos encargos trabalhistas que superam em dez vezes os praticados nos Estados Unidos.
Em nossa atividade, retífica e reparação de motores, que possui uma alta incidência da aplicação de mão de obra, recolher mais do que 100% do salário como encargo social e trabalhista vai aniquilar as empresas e fazer sumir os empregos.
Outro ponto importante é a criação de contratos específicos para jovens aprendizes, de 14 a 24 anos, com substancial redução dos encargos trabalhistas, de forma que as empresas possam, inclusive, fornecer cursos profissionalizantes dentro da sua atividade.
Para não haver quebra de receita, as reformas tributária e trabalhista podem ser feitas gradativamente pelo governo, de forma a permitir que, de acordo com o aumento formal dos empregos, a carga de impostos fosse sendo reduzida.
O que temos de ter consciência é que a criação de um Brasil com Economia Subterrânea não interessa a ninguém. Quem quer ficar fugindo da fiscalização, não ter acesso aos financiamentos, e não participar do crescimento econômico do país?
Nenhum cidadão brasileiro do bem quer isso. Ele quer ser respeitado. E isso somente será possível com a consciência individual de que respeitar as regras é bom para todos. Para si próprio, para a família, para a sociedade, e para o país.
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